quebrando paradigmas da dislexia

Quebrando Paradigmas da Dislexia

O nosso potencial normalmente costuma ir muito além daquele em que nós mesmos acreditamos. Muitas vezes, o que nos impede de “alçar novos vôos” são antigos paradigmas, que se encravam em nossas mentes, deixando-nos simplesmente inertes.

Vou contar aqui duas coisas sobre mim das quais se você soubesse antes duvidaria muito que eu fosse disléxico: a primeira, eu amo escrever poesias, é meu grande hobby; a segunda, eu gosto muito de ler Machado de Assis, Érico Veríssimo, C.S Lewis e outros escritores. Talvez você esteja pensando como pode haver um disléxico que afirme gostar tanto de escrever, e ainda por cima, ler livros de grandes autores – isso não é uma coisa que se vê todo dia, afinal o disléxico não é “alguém que inverte letras ou tem problemas de leitura”?. Fique tranquilo, isso ficará mais claro daqui para frente.

Eu tinha acabado de chegar ao Mackenzie, estava na 6ª série com então 12 anos idade. Como passei por uma situação muito difícil na alfabetização ainda alimentava um ódio mortal por qualquer coisa que envolvesse leitura e/ou escrita, mas como o colégio me dava um grande apoio e estava no reforço escolar já havia um ano, meio que aos trancos e barrancos ia levando a vida. Foi nessa época que tomei conhecimento sobre um concurso de poesias promovido pelo colégio chamado LerMack – as melhores poesias seriam publicadas em um livro, e para o seu lançamento haveria uma noite de autógrafos com os autores. Era óbvio que eu não tinha o mínimo interesse em participar do concurso, mas como o simples fato de fazer a poesia já valia pontos na média então pedi ajuda para o melhor poeta que eu conhecia: meu padrasto – ele tinha até um site de poesias. Depois de muita, mas muita encheção de saco da minha parte, o convenci a fazer uma para mim.

Com a poesia entregue, nota garantida, passando-se duas semanas tinha até me esquecido do concurso quando a professora me puxou e disse “Pippo! A sua poesia está LINDA! Parabéns ela vai para o livro do LerMack, te esperamos na noite de autógrafos” (Querida professora, caso a senhora esteja lendo isso, peço perdão por descobrir a verdade depois de tanto tempo). Então lá fui eu, minha mãe alugou terno, gravata e sapato para a grande noite.  Após as apresentações artísticas, deu-se inicio à sessão de autógrafos, foi quando muitos colegas de turma principalmente as meninas começaram a comentar “Nossa Pippo, não sabia que você escrevia tão bem!” “Que DEMAIS o seu poema!” “Escreve para mim um dia!” (foi então que descobri uma das grandes máximas da vida: mulheres amam poemas – pelo menos grande parte delas). Eu estava dando autógrafos, tirando fotos, e ainda sendo paparicado pelas garotas. Me conta, como é que eu não vou gostar desse negócio?

Depois disso mergulhei de cabeça no mundo da literatura, também queria escrever bem para fazer as minhas próprias poesias. Então comecei a estudar por conta própria sobre métrica, rima, movimentos literários, histórias de grandes poetas e etc. Quando me arrisquei a escrever poemas de minha autoria, confesso que os primeiros ficaram uma PORCARIA, mas mesmo assim continuei persistindo. Meu padrasto continuou me ajudando nos outros concursos, mas agora fazendo papel de crítico literário. Tamanho empenho de determinação deu resultado, minhas poesias foram publicadas em outros anos, em 2007, 2008, 2010 e 2011. Confesso que não sou um grande poeta, mas saber que venci por meio da persistência me incitou a continuar correndo para atingir outras metas.  Uma coisa que percebo é que os disléxicos conseguem ser pessoas extremamente persistentes, e se você é pai ou mãe saiba que seu filho também pode desenvolver essa persistência e você pode ajuda-lo, lembrado de suas vitórias, para que perceba o quanto sua luta valeu a pena.

 A dislexia não me impediu, e com certeza não precisa impedir você ou seu filho, de “alçar grandes vôos”. Esqueço nomes, confundo datas, troco letras todos os dias. Mas todos os dias também escrevo palavras certas e chego exatamente onde eu quero. A única maneira de se libertar dos paradigmas da dislexia é trabalhar COM ela e não CONTRA ela.


>> Confira outros textos sobre que escrevi para inspirar os disléxicos <<

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15 thoughts on “Quebrando Paradigmas da Dislexia

  1. Fany Simberg

    Estou amando seus post e o blog. Queria poder conversar com você. Queria a permissão de incluir seu blog como link do nosso site e você poder escrever algumas matérias neste, será possível? Entre em contato conosco pelo site, obrigada pela atenção.

     
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  2. patricia carvalho

    Adorei seu texro. ? Sou a Patricia do grupo .Nao se preocupe em ficar justificando erros, trocas, omissões, pois, vemos muitos textos por aí cheios de erros. Mas entendo, assim e o certo. Suas palavras poderão ajudar e estimular a muitos.
    Ontem mesmo passei seu site para os jovens que atendo. Parabéns.

     
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  3. Alexia Kelly

    Nossa Felippe, seu site é uma bênção!!
    É tão bom saber que tem mais pessoas que passam pela mesma coisa( ou quase, pq apesar de pertencermos ao mesmo grupo, todos somos diferentes!) que eu.
    Te desejo sucesso na vida e no site que é maravilhoso, suas palavras inspiram as pessoas( inclusive à mim). Às vezes releio seus posts só pra ter inspiração e coragem pra levantar da cama toda manhã, sabendo que vou passar pelas mesmas coisas.
    Um abraço e fica com Deus!!

     
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  4. Vera Gomes

    Tenho uma filha de 12 anos com dislexia e tantas são minhas dúvidas… apesar de ler tanto, sempre tenho dúvidas e me pergunto…. no que tudo isso vai dar.
    Gostei muito do seu blog e você narrar suas experiências com a dislexia, assim como sua mãe. Saiba que muito bom ler testemunhos nos estimula, nos ajuda a continuar e ter fé que tudo tem seu valor.
    Obrigada.

     
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    1. Cristina Kipman Cerqueira Leite

      Olá, meu filho é dislexico e acabou de entrar para publicidade e propaganda no Mackenzie. Você ainda é estudante de publicidade? Aonde? Obrigada, curtindo muito seu blog.

       
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  5. Matheus

    Nao canso de ouvir dos meus professores da faculdade ” mais Matheus voce nao parece ter dislexia, voce e tao inteligente” hahahah como se dislexia foce cinonimo de burro ne? eu canso de falar que nos dislexicos tentamos encontrar um modo mais facil de fazer as coisas e

     
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  6. Matheus

    Nao canso de ouvir dos meus professores da faculdade ” mais Matheus voce nao parece ter dislexia, voce e tao inteligente” hahahah como se dislexia foce cinonimo de burro ne? eu canso de falar que nos dislexicos tentamos encontrar um modo mais facil de fazer as coisas, e quando conseguimos simplificar uma coisa que era dificil de intender a coisa começa a fluir tao bem que nem parece que aquilo era tao dificil assim, claro depois de horas de esforço kkkk

     
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  7. thiago oliveira

    Legal, curti o relato, eu foi diagnosticado com dislexia com 7 anos na primeira serie, principalmente porque moleque não deixa passa e na quela epoca não existia bullying , foi uma época muito complicada, fiz tratamento nessa época, durante uns 4 anos, acredito eu, pois tempo não é meu forte, legal ver que você não desistiu por causa da situação e sim se adaptou a ela, eu tenho uma puta dificulte de ler então conhecendo meu problema a vida me ensinou a criar meus hacks para driblar minhas dificuldades, na escola não curtia estudar preferia aulas que mexia mais logica menos com letras, hoje trabalho com informatica e tenho dificuldades em ler, demoro, é difícil ler um livro completo, então leio sempre somente o que preciso sempre alternando as fontes e quando possível vejo videos, curto programar e cara esse é um grade desafio para mim, apesar do mundo de hoje ajudar muito, os software ajuda achar meus erros e so preciso ler 5 ou 6 vezes antes de mandar uma e-mail, mas até ai tranquilo, tive que me adaptar a minha situação e já escutei psicólogos, dizerem que não sou dislexo por trabalho com informatica, se fosse não seria capaz, minha resposta foi, dislexia não é falta de capacidade e sim dificuldade no aprendizado, eu só preciso me esforçar mais que você pra conseguir resultados semelhantes, nada que paciência e perseverança não resolva, eu descobri sua pagina a pouco tempo e venho acompanhado, cara parabéns pela inciativa é sempre bom ver quem encara isso de forma positiva.

     
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  8. Angélica

    Pippo, agradeço por compartilhar tão bem suas experiências. Te admiro muito. Tenho um menino de 10 anos como você. Bjos.

     
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  9. Estela Luiz

    Pipo ,socorro kkkkk leio seu artigos para ter força e continuar lutando com os professores e coordenadores do Colégio que meu filho que estuda.
    Obrigada .
    Abraço.

     
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