Traumas da Dislexia

Vencendo os Traumas da Dislexia

Você conhece algum dono de elefante? Eu também não. Desde pequeno cresci junto com dois gatos, mas nenhum elefante. Quando criança, ele era meu animal favorito! Eu achava incrível o quanto eles eram fortes: são capazes de arrancar árvores inteiras, arrastam toras e aguentam cargas bem pesadas. Conforme fui ficando mais velho aprendi um pouco mais a respeito deles. Descobri que os donos de elefantes na Ásia para impedir que seus “bichinhos” fiquem vagando por aí eles pegam uma corda, prendem  a uma estaca de madeira no chão e depois a amarram na pata do elefante. Só isso!

Como isso é possível? O segredo tem menos a ver com a corda mas sim com as “algemas invisíveis” na mente do paquiderme. Quando ele ainda é um filhote, o dono o prende a uma árvore com uma corrente bem forte em volta de seu tornozelo. Durante semanas o jovem elefante se esforça para sair, mas a única coisa que consegue é cortar a pata. Com o tempo, o animal aceita a ideia de que não consegue ir à lugar algum e então seu dono substitui a corrente por um pedaço de corda. Então, bastará o elefante sentir alguma resistência na pata para ficar totalmente inerte. (Depois de dois parágrafos que abrilhantaram seus conhecimento sobre elefantes, vamos ao que interessa)

Nós disléxicos somos como aquele elefante, temos grandes habilidades o problema é que deixamos os problemas nos atingirem de uma tal forma que ficamos simplesmente estáticos. Por exemplo, conheço muitas pessoas com dislexia que por medo de parecerem “estupidas” ou por medo de que outros riam delas, tentam evitar toda e qualquer situação  que envolva ler, escrever, falar em público. (Algo muito difícil na nossa sociedade). Mesmo assim, muitos conseguem ser bem criativos para burlar essas tarefas, como neste caso: uma vez, quando estava em uma aula de português na 4 série, eu sabia que a professora iria pedir para que cada ler em voz alta um trecho de um texto na nossa apostila (fiquei branco e a passei a suar frio, eu tinha que sair dalí), assim que ela pedir para abrirmos na respectiva pagina, comecei a jogar bolinhas de papel em um colega e falar muito alto! Era uma questão de tempo até que a professora percebesse meu comportamento e me mandasse sair da sala, e foi o que aconteceu. Tinha me livrado da situação de ler na frente de todo mundo, aquele momento para mim tinha sido uma vitória! (tirando o fato que de levar um comunicado na agenda para minha mãe assinar).

Em tantas vezes, inventamos desculpas para não ter que enfrentar nossas dificuldades. Quando me dei conta, eu era um garoto que pouco havia fracassado, na verdade, pouco havia feito! Na minha infância, desperdicei boas oportunidades de evoluir: seja ler em voz alta, apresentar um trabalho na frente da turma ou jogar um complicado jogo de cartas com os amigos. É verdade que a dislexia nos trás grandes desafios nessas e em tantas outras áreas, mas se insistirmos e nos arriscarmos, experimentaremos a sensação de vitória. Quanto mais nos exercitamos a ultrapassar cada um deles, mais fácil fica encarar os próximos.

Se lá atrás eu não tivesse me arriscado à escrever (veja a história em Quebrando Paradigmas da Dislexia), talvez hoje este blog nem existisse. Aprendi que toda grande caminhada começa sempre com o primeiro passo. Agora, em razão de muitos “primeiros passos” que dei não fico mais preocupado se, por exemplo, vou me perder ao pegar um ônibus (existe google maps pra isso), se vou preencher um formulário (sempre existe uma folha sobressalente ), se vou gastar horas andando pelo supermercado porque não lembro o nome de um produto (eu sempre levo uma foto do produto que quero comprar, e outra, nessas andanças acabei descobrindo produtos interessantes que até antes não conhecia).

O que não podemos fazer é permitir que pequenos fracassos nos impeçam de adquirir habilidades importantes ou até de conquistar grandes realizações na vida. Não precisamos ter medo de errar, faça do fracasso um caminho para se fortalecer, não um motivo para desistir. Você quer alcançar grandes coisas? Saia da sua zona de conforto. Como fazer isso? Comece dando o primeiro passo.

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Posted by Pippo

Publicitário, cristão e idealizador do DislexClub. Descobri minha dislexia aos 10 anos de idade depois de muito sofrer durante a alfabetização. Conforme fui crescendo, passei a desenvolver alguns macetes para superar minha dificuldade. Hoje considero a dislexia como um DOM, basta sabermos como utiliza-la.

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12 thoughts on “Vencendo os Traumas da Dislexia

  1. Lysia Moreira

    Excelente texto! O importante é nunca desistir de vc e ter em mente q os erros são degraus necessários à nossa evolução. Tenho dislexia e o meu filho mais velho tb. Lidamos bem com a nossa condição, rimos das nossas besteiras e nos surpreendemos tb com a nossa capacidade de enxergar as coisas de uma forma diferente. Bjs

     
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  2. renata lopes dos santos

    perfeito seu texto, tenho um filho de 11 anos ainda não tenho o diagnostico de dislexia mas tenho quase certeza que ele é, já vou fazer alguns testes com ele obrigada.

    Renata

     
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  3. Márcia Aparecida Pacheco Greve

    Excelente comentário. Muito esclarecedor e de grande ajuda. Sou professora e tudo a respeito da Dislexia me interessa muito. Felipe, você estudou em Valinhos?

     
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  4. Monica Feltrin da Cunha Neves

    Minha filha foi diagnosticada com dislexia aos 8 anos, desde então começou nossa luta diaria! Moro no interior de São Paulo, Jaú uma cidade que i felizmente estagnou no tempo. O dignostico veio atraves de um médico matavilhoso de Robeirão Preto, e com esse diagnostico nossa luta é constante com relação á escola. Ela estuda em um colégio particular nétodo Ângulo de ensino, mas noto que os professores ñ tem preparo algum para lidar com esse tipo de dificuldade, embora levo sempre as cartilhas, fico sempre de olho com relação a correções de provas,, plhar diferenciafo em sala de aula enfim… Um despreparo só. Hj minha filha tem 12 anos está indo para o sétimo ano, sei que a luta está só coneçando, acomoanho muito vcs e muita coisa que aprendo aqui coloco no meu dia dia o que vem me ajudando muito! Abraço

     
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  5. Amanda Belluzzo

    Lindo texto …é assim mesmo que me sinto, ainda estou lutando pra quebrar as correntes invisíveis, uma hora chego lá!

     
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