História do Leitor: Letícia Moraes e o Grande Apoio para Superar Obstáculos

Tempo de leitura: 7 minutos

Olá! Sou Letícia, estudante de técnica em eventos num Instituto Federal, tenho 21 anos de idade, descobrir que tinha dislexia quando estava na segunda série do ensino fundamental, ainda não sabia ler e nem escrever, não conseguia associar os sons com as letras. Então, uma das minhas médicas me encaminhou para uma avaliação com uma fonoaudióloga muito atenciosa e meiga, ela não tinha muito tempo de profissão, porém me deu um carinho muito grande e à minha mãe também . Naquela época minha mãe não sabia o que era dislexia e nem sabia lidar com a minha dislexia e nem como me ajudar. A fonoaudióloga passou a minha mãe a tranquilidade que ela precisava no momento, naquilo que era tão NOVO pra mim e pra minha mãe.

No começo foi difícil, pois já que a dislexia é hereditária, minha mãe apresenta nem um traço ou sintoma que poderia ser disléxica, porém meu pai e meu tio sim. No entanto, meu pai não aceitava que eu tinha a dislexia e que veio através da hereditariedade da parte da família dele, então já viu! Ele teve uma certa ignorância em aceitar, fora que teve muitos conhecidos da família que disseram que era perda de tempo e entre outros cometários maldosos. Mas mesmo assim, minha mãe continuou do meu lado, me incentivando, me apoiando, fazendo as terapias que a fonoaudióloga passava. Ah! tenho uma irmã mais velha, e ela também me ajudou muito sendo atenciosa e até um pouco mais protetora que o normal rsrsrs…Elas duas são as pessoas que mais me deram forças e continuam me dando.

A parte que achei mais ruim em saber que sou disléxica, não é a parte que você descobre que tem uma dificuldade de aprendizagem, mais sim, as pessoas não entenderem o que é? As vezes somos tratados como se tivéssemos doenças mentais, isso não é verdade, só temos uma “quebra” no entendimento de alguns assuntos, por isso que somos mais lentos a ler e a escrever, e por que também a maioria tem deficit de atenção e não consegue se manter atento. Por causa disso, minha mãe quando foi me matricular em outra escola, pois tínhamos trocado de endereço, muitas das escolas que ela foi diziam pra ela que não podiam me matricular pois não tinha professores qualificados pra dar aulas pra uma criança igual a mim, e que ela tinha que procurar uma escola especial para eu ser matriculada e cuidada. Mesmo assim, ela ouvindo todas essas baboseiras e eu consequentemente também ouvir, ela procurou outras escolas que me aceitou com muito carinho, e que os professores também me aceitaram. Dai pra frente, eu tentei do meu jeito diferente de aprender, fui muito elogiada pelos meus professores por mesmo tendo uma dificuldade de aprendizagem, ser muito desempenhada em aprender, o meu único problema era (e que sou) tímida. Quando tenho dúvidas, as vezes acabo não perguntando, ou pior, entendo a matéria pela metade.

Minha mãe nunca processou nem uma escola, pois também nem sabia sobre os direitos que os disléxicos possuem. Por mais que enfrentei essa dificuldade de me matricular, de ter que engolir “sapos” e até sofrer rejeição de alguns poucos professores que não sabiam lidar comigo e certas direções de escolas que me mandaram ser matriculada em escolas especiais, e dos “conhecidos” que discriminaram, isso tudo serviu pra mostrar a todos que mesmo com todas as dificuldades que apareceram no meu caminho, consegui terminar o ensino fundamental e o médio em escolas regulares sem ir pra nem uma escola especial! Conquistei muitos amigos nesse percurso, desses amigos estão a minha fonoaudióloga que temos um grande amizade uma com a outra, tenho a minha ex psicóloga que também possuo amizade, ela me fez entender que ninguém nasce doente ou com uma síndrome porque quer ou porque é “castigo” por Deus, e se tivesse que escolher ninguém escolheria o lado mais difícil. Gente que tem alguma necessidade especial nasceram pra mostrar que mesmo com suas dificuldades e limitações podemos ir muito longe, basta persistência. As duas médicas e mais minha mãezinha e minha irmã me ajudaram a falar da dislexia sem ter vergonha e sem me sentir um “patinho feio” .

A dislexia tem que ser mais divulgada, falada, debatida com os pais, diretores de escolas, professores, entre os próprios alunos de sala de aula e com o próprio disléxico sobre o que ela é, quais os sintomas, o tratamento e a vida de um disléxico. Eu, particularmente, não sofri bullying dos meus colegas de sala, aliás tinham o maior carinho e admiração por mim, me tratavam muito bem e tinha amizade com todos da sala. Coisa que nem toda vez acontece com outras crianças, infelizmente.

Se me perguntarem se ainda tenho dificuldade com a leitura e a escrita? Vou sempre responder que sim, pois na leitura troco as palavras e falo errado algumas vezes, os cálculos matemáticos não são meus amigos, nas acentuações sou péssima, troco esquerda com direita, vivo esquecendo as datas, objetos, ações, enfim…Sou meia desatenta pra algumas coisas, tenho uma letra muito feia, porém amo arte em todos os jeitos e estilos e a minha matéria preferida quando estudava no ensino fundamental e médio era História, sempre me incentivaram a ler, pois a leitura é o melhor exercício pra a dislexia.

O que posso concluir hoje, é que não foi e nem vai ser a dislexia que vai me atrapalhar nos meus estudos, quando falo que sou disléxica muitas pessoas duvidam dizendo que não aparento ter. Acho que se eu não tivesse passado pelas dificuldades que passei, não saberia o que é ser Disléxica, e nem saberia valorizar as pequenas conquistas, no começo é difícil é! Como sempre falo: uma vez disléxico sempre vai ser disléxico, mas com o tratamento adequado você ameniza as dificuldades e vive uma vida completamente normal. Neste ano de 2016, vou me forma na área de eventos num Instituto Federal sem nenhum tipo de cota pra deficiência, ainda pretendo fazer algum curso superior, mas ainda não sei qual ainda. Só mais um recado que deixo pra quem estiver lendo é “desafia‐se sempre à superar-se sempre, desistir nunca”.


Faaalaaa Lê! Tudo com com você? Imagino que sim!

Muito, mas muito obrigado mesmo por você ter compartilhado sua história com a gente. Me identifiquei com vários pontos dela, parecia até que você estava relatando sobre a minha vida também rsrs. Quando descobrimos que somos disléxicos, as dúvidas são grandes “que treco é esse?”, “Por que nasci com isso?”, “Por que sou o(a) único(a) difernete” – mesmo que não estejamos “gritando” por fora, nosso coração grita, louco em saber as respostas.

É nesse momento, onde ter com quem contar é tão importante. Achei simplesmente SEN-SA-CIO-NAL sua irmã estar próxima, cuidando e “protegendo” você mais do que o normal rsrs – isso é algo tão puro e profundo que certamente fortaleceu a relação de vocês duas. Claro que o oposto também é verdadeiro: gente que além de não ajudar, atrapalha e muito – falta de apoio do pai (isso é algo que vejo em 90% das famílias dos disléxicos), piadinhas de mal gosto da família (sei bem o que é isso) e ainda ter que ouvir de algumas “escolas” que a escola especial é o único caminho para nós…. Ouvir isso, viver isso machuca e muito. Mas certamente contribuiu para que você alcança-se o caminho da superação… fala sério, dá vontade de esfregar nosso sucesso na cara de todo mundo que disse que nós não éramos capazes, néh mesmo? rsrsrs

Depois nos mande as fotos da sua formatura, ok? Que Deus abençôe todas as suas escolhas profissionais e que você possa alcançar grandes coisas e produzir mega-eventos!


Já pensou em ter sua história no DislexClub e ainda inspirar muita gente? Se você quiser, nos conte como é sua relação coma dislexia: suas lutas, sua superação, suas vitórias ou se quiser apenas desabafar… Envie para: dislexclub@gmail.com

9 Comentários


  1. obrigada por ter postado a minha história espero que ajude outras pessoas a se superar também. É verdade que dá vontade de esfregar quando alcançamos um sonho na cara de alguém que não torce pelo nosso sucesso. Adoro a página no Facebook, acho interessante esses tipos de redes sociais que divulgam esse assunto tão pouco discutido.

    Responder

  2. estou muito interessada em saber tudo sobre dislexia e tdah, pois descobri recentemente que o meu neto de 10 anos é disléxico e tem tdah. Está sendo um pouco difícil agora no começo pois eu e minha filha a mãe do Luiz Gustavo somos muito nervosas e acabamos brigando com ele na hora de fazer as lições de casa. Estamos fazendo de tudo para corrigir esse nosso erro, outra dificuldade que estamos enfrentando é que a equipe médica que está tratando dele, as consultas são caras e nenhum tem convênio. Mas se Deus quiser o Luiz Gustavo vai vencer e nós também.
    Amei esse site. Deus continue abençoando vocês.

    Responder

  3. Maravilhoso, parabéns você realmente é 10. sei que meu filho também vai conseguir eu sou a super mãe estou com ele sempre e realmente a parte mais difícil é o colégio diretores e professores não sabem e nem querem saber sobre dislexia onde torna muito mais difícil o aprendizado.Meu filho é dislexo tem discauculia,disgrafia,disortografia,dificuldade visio motora e déficit de atenção mas apesar de tudo ele é o máximo e super inteligente e eu como mãe o admiro por demais.Obrigada pelo seu depoimento e mais uma vez parabéns.

    Responder

    1. Oi! Tudo bem? vi o seu comentário e não pude de deixar de comentar aqui. Sou também, discalculica, disgráfica, disortográfica, dislálica e hoje em dia já consigo controlar melhor o meu deficit de atenção. O seu filho com certeza é uma pessoa extraordinária e especial. Seja essa super mãe que você é, pois todo filho que é disléxico precisa desse apoio que é fundamental. E sobre as pessoas que não sabem lidar com a Dislexia ou que nem mesmos quer saber, não ligue mais faça com que respeite o seu filho como ele é, falo isso por experiência que tiver com algumas pessoas que não sabia lidar comigo.Digo mais para ele não achar que a dislexia deixe ele inferior aos outros e sim que torna ele um ser Diferenciado é portanto único na terra e que ele tem um grande potencial dentro dele.

      Responder

  4. Meu filho de 08 anos está no 3º ano fundamental de uma escola particular em Belo Horizonte, desde o primeiro ano ele faz acompanhamento com fonoaudióloga, neuropediatra, terapia ocupacional e psicopedagoga, faz uso de medicação e os relatórios sempre foram encaminhados a escola, a neuropediatra dele emitiu um relatório médico diagnosticando-o com “quadro de transtorno de aprendizagem e transtorno do deficit de atenção e hiperatividade, tipo desatento. Apresenta quadro de dificuldade na aprendizagem caracterizado como transtorno da leitura e escrita CID 10 – F90.0 – F81.0”. Hoje minha maior preocupação é que meu filho não está alfabetizado (não lê nem escreve nada). As avaliações dele são feitas de forma oral, esse é o único apoio que recebo da escola, entendo que sempre fiz minha parte no que diz respeito ao apoio familiar e pedagógico externo, ele faz todas as terapias solicitadas pelos profissionais que o acompanham, e não estou vendo empenho da escola no que diz respeito a alfabetização dele. Simplesmente troca-lo de escola não me parece justo. Vejo a ansiedade e frustração dele em se esforçar e ainda não saber ler. Amei encontrar este veículo onde podemos trocar experiências.

    Responder

    1. Oieeeeee.
      Eu fui negada por várias escolas (as diretorias ou a direção da escola) na queriam alguém assim “igual eu” dislexica. Porém minha mãe não desistiu. Procuroupas muito até que acho uma escola que me “aceitou”. Porem infelizmente nem todos os profissionais da educação estão dispostos a ajudar, muitos queremomentos só crianças “normais” na sua sala. Minha mãe vivia lá na escola acompanhando como os educadores me trataram. Uns eram bem solícitos outros nem tanto. Porém a força de vontade minha, a da minha mãe, minha fonaudiologa psicologoga e até da minha irmã eram bem maiores do que qualquer coisas. As vezes ficava frustrada e até desanimada por não conseguir entender o que estavam me explicando. Mas se não fosse essas pessoas eu nunca teria chegado onde cheguei. Não foi nada fácil . E ainda na é pra dizer a verdade. Existem ainda infelizmente muitas pessoas ignorantes que não vale a pena se estressa ou se chatear. Eu espero que seu filho consigam ir mais longe que ele já foi. Trocar ele de escola depende também se ele quer isso pra ele. E pense se vale a pena deixar ele na mesma escola?

      Responder

    2. Oieeeeee.
      Eu fui negada por várias escolas (as diretorias ou a direção da escola) na queriam alguém assim “igual eu” dislexica. Porém minha mãe não desistiu. Procurou muito até que acho uma escola que me “aceitou”. Porem infelizmente nem todos os profissionais da educação estão dispostos a ajudar, muitos querem mesmo só crianças “normais” na sua sala. Minha mãe vivia lá na escola acompanhando como os educadores me tratavam. Uns eram bem solícitos outros nem tanto. Porém a força de vontade minha, a da minha mãe, minha fonaudiologa psicologa e até da minha irmã eram bem maiores do que qualquer coisas. As vezes ficava frustrada e até desanimada por não conseguir entender o que estavam me explicando. Mas se não fosse essas pessoas eu nunca teria chegado onde cheguei. Não foi nada fácil . E ainda pra dizer a verdade não é. Existem ainda infelizmente muitas pessoas ignorantes que não vale a pena se estressa ou se chatear. Eu espero que seu filho consigam ir mais longe que ele já foi. Trocar ele de escola depende também se ele quer isso pra ele. E pense se vale a pena deixar ele na mesma escola?

      Responder

  5. Letícia, vejo o meu filho em você. Gostaria que se possível você me informasse o nome dos profissionais que te ajudaram, pois moro no DF e estou a procura de um bom acompanhamento para o meu filho de 13 anos, disléxico,existe alguma medicação para atenuar os sintomas? Qual escola estudou? Estou cheia de dúvidas e inseguranças.

    Responder

    1. Oieeeeee. Roseli
      Desculpa a demora a responder sua mensagem
      Bom sou de Belém do Pará. O meu tratamento passou primeiro por uma triagem pra descarta qualquer coisa que pudesse dificultar o meu aprendizagem ( exames e especializações de vários tipos de medicos). Foi então que me enviaram pra psicóloga (Regina Lima trabalha no hospital ofir Loiola, fica em Belém mesmo) que avaliou o meu comportamento e várias situações e principalmente o que diz a respeito da educação. Foi que aí que ela me encaminhou pra a fonaudiologa LUANA SABADO(que trabalha no mesmo hospital ) ela foi um amor de medica em pessoa, ela vibrava com cada superação minha. Ela foi incrível. Criamos uma relação de amizade . O hospital é do Sus. Foi mais “fácil”pra mim Pq faço tratamento por outra síndrome que tenho, e que faço nesse hospital o tratamento . Que não tem nada ver com a Dislexia. Eu sou dislexica por hereditariedade mesmo. As escolas que estudei foram duas particulares. De perto da minha casa. Como eu disse no outro comentário acima, muitos foram solicitados outros professores não. Mas o que leva a gente longe é a força de vontade e pessoas que acreditam na nossa capacidade. Sou dislexica sim, mas hoje eu sei , que posso ser o que eu quiser, sou tenho que saber lidar com algumas situações e até as vezes limites.
      A base de tudo pra mim foi e é a minha família, e aonde e me apoio e que são meus escudos. E que me protegem quando me sinto desanimada ou sem forças.
      Seu filho é uma pessoa insubstituível. Diga sempre isso pra ele. Ele é maior que sua dificuldade.

      PS.: nunção tomei nada pra diminuir a Dislexia. Fiz tratalento fonaudiologico e terapias em casa com minha mãe e irmã que a fonaudiologa que passava. Sempre tava fazendo exames pra saber se não havia outro problemas. Sempre deram negativos.

      Bjs e abraços.

      Responder

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *