Diferença entre Transtorno de Aprendizagem e Dificuldade de Aprendizagem

Diferença entre Transtorno de Aprendizagem e Dificuldade de Aprendizagem

Tempo de leitura: 4 minutos

É muito comum, lerem em encaminhamentos, sejam eles escolares ou médicos, de crianças e de adolescentes no espaço “queixa”, o termo “dificuldade de aprendizagem”. Mas será que em todos os casos realmente são apenas dificuldades? Qual a diferença para Transtorno de Aprendizagem?

Entendendo a Diferença: Transtorno x Dificuldade

Primeiramente, vamos entender o que é aprendizagem do ponto de vista da Neurociência. De acordo com a Dra. Leonor Guerra, neurocientista, Coordenadora do Programa de Extensão NeuroEduca- UFMG e Membro do Comitê Científico do IEAT – Instituto de Estudos Avançados Transdisciplinares, “a aprendizagem resulta na reorganização do cérebro do aprendiz, que o leva a novos comportamentos.” Definido esse termo, vamos então diferenciar os termos que são o foco desse artigo: DIFICULDADE DE APRENDIZAGEM e TRANSTORNO DE APRENDIZAGEM, uma vez que não são sinônimos e devem ser abordados de maneiras específicas!

Dificuldade de Aprendizagem

De acordo com Ciasca (2003), as dificuldades têm suas causas externas à criança:

  • Podem ser de ordem emocional (perda de um ente querido, separação dos pais);
  • Cultural (ambiente com pouco estímulo para a leitura);
  • Escolar (metodologias inadequadas, vínculo com a professora, mudança de escola);
  • Ou até mesmo algum quadro clínico concomitante ao período de desenvolvimento da criança, e a tendência é que diminuam com as intervenções e adaptações até mesmo dentro do espaço escolar.

Transtorno de Aprendizagem

Já o transtorno é uma inabilidade específica seja ela em leitura (dislexia), escrita (disortografia) ou matemática (discalculia) ou essas inabilidades associadas. Todos esses transtornos pertencem a um grupo maior denominado de transtornos do neurodesenvolvimento.

Importante frisar: Transtorno de Aprendizagem não está relacionado à incapacidade intelectual mesmo que os indivíduos apresentem resultados significativamente inferiores ao seu nível de desenvolvimento e escolaridade. Uma vez que os transtornos são de origem neurobiológica, os sinais serão para toda a vida, porém com as intervenções adequadas os déficits serão atenuados.

É importante também destacar que, em ambos os casos, há um desempenho abaixo do esperado em relação aos pares da mesma série. No entanto, independente da natureza desse baixo desempenho, existem formas de ajudar essas crianças. Daí a importância em diagnosticá-las e identificá-las o quanto antes para intervir e evitar prejuízos futuros.

Relevância de Diferenciar os Termos

Quando falamos que a criança vem apresentando entraves que estão impedindo seu avanço no processo de aprendizagem (em especial, na fase de alfabetização), nos referimos a identificar quais são os reais problemas que estão interferindo no seu desenvolvimento. Assim, é de extrema importância discriminar e classificar se os déficits são dificuldades ou distúrbios para intervir de forma adequada buscando as modificações pedagógicas, bem como as estratégias mais eficazes que possam contribuir na evolução favorável desses alunos. Além disso, é possível sensibilizar e orientar os pais quanto às condutas psicoeducativas em relação à resolução de tarefas diárias, trabalhos escolares e provas bimestrais, bem como conscientizá-los do que seu filho de fato apresenta.

O Brasil ainda está desenvolvendo a cultura de identificação e intervenção dos sinais de transtorno de forma precoce, mas já conseguimos avançar de forma significativa. Era com muita frequência que ouvíamos discursos do tipo “meu filho/meu aluno não tem nada; logo ele vai conseguir deslanchar nos estudos. É uma questão de tempo, de dar um ‘click’.” Felizmente, devido à ampliação do acesso às informações sobre o transtorno de aprendizagem, falas como essas estão ficando cada vez mais incomuns.

Hoje há muitos centros compostos por equipe multidisciplinar que recebem esses meninos e meninas que apresentam resultados não mais esperados para a idade e por meio de um trabalho de investigação interdisciplinar, esses profissionais orientam professores e pais a como monitorarem as respostas dadas por esses escolares a fim de que seja identificado se é apenas um problema de ordem momentânea (dificuldade de aprendizagem) o qual somente com adequações dentro do próprio ambiente escolar será sanado, ou se haverá necessidade de um enfoque predominantemente clínico terapêutico (transtorno de aprendizagem), com acompanhamento individual de fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, psicopedagogos, neurologistas, neuropediatras, entre outros.

Com essa abordagem é possível, além de reduzir as repetências, reduzir também os riscos de problemas emocionais ( como transtorno de humor e ansiedade), oferecendo condições de adaptações escolares em tempo hábil evitando o famoso efeito “bola de neve” em que a criança vai avançando para as séries seguintes, sem ao menos ter desenvolvido as habilidades e pré-requisitos necessários para conteúdos cada vez mais estruturados e complexos.

Não se pretende com esse manejo, rotular ou segregar os grupos de alunos em: alunos com bom desempenho ou com mau desempenho. Pelo contrário, espera-se não demorar para intervir e oferecer suporte escolar ou terapêutico específico para cada demanda que se apresentar, independente se for apenas uma dificuldade ou, efetivamente, um transtorno.

 

Maria Silvana – ABPp 13265

  • Psicopedagoga Clínica – Sinapses
  • Psicopedagoga Clínica – AMEE, Santo Antonio de Posse – SP
  • Professora de Língua Portuguesa

Blog: eueadislexia.com.br

e-mail: sinapses.maria.silvana@gmail.com

WhatsApp: 19 98313-9357

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